Contando, ninguém acredita… | Por Cícero Ávila

Da esquerda para a direita: Jody Scheckter, Patrick Depailler, James Hunt, Niki Lauda, Ingo Hoffmann, Emerson Fittipaldi e Larry Perkins. Foto: BIENE - blog - Caloi Sportissima Lançamento F1
Da esquerda para a direita: Jody Scheckter, Patrick Depailler, James Hunt, Niki Lauda, Ingo Hoffmann, Emerson Fittipaldi e Larry Perkins. Foto: BIENE - blog

Parece mentira, mas não é. Mas é uma daquelas histórias que com o tempo desbotam, viram lenda até. Nessa época eu era criança, devia ter uns 7 ou 8 anos. Meu pai vivia meio doido, correndo o mais que podia para atender – além de tudo – a Caloi.

Era sempre uma correria, uma sangria desatada, no bom sentido. A Caloi resolveu lançar a Sportíssima, uma versão mais sofisticada da Caloi 10, já um sucesso de vendas que alavancava a marca e a levava a um patamar de maior marca de Bicicletas do Brasil.

Caloi Sportíssima restaurada, Fonte: Pedalare São Paulo
Caloi Sportíssima (1976) restaurada. Fonte: Pedalare São Paulo

Os tempos eram outros. Havia a chamada “Reserva de Mercado”, que impossibilitava o brasileiro comum de ter coisas importadas. Não havia, como hoje, a facilidade de se obter qualquer coisa do exterior. O processo de importação era complexo, caro e quase impossível.

Para o lançamento, a Caloi teve uma ideia ousada: lançar a nova bicicleta no GP Brasil de F1, no autódromo de Interlagos. Os pilotos da F1 dariam uma volta na pista, todos vestidos com roupas de lã da Caloi, com as cores de seus respectivos países, customizadas com o nome de cada um deles. E mais, a prova seria transmitida pela Rede Globo de Televisão, ao vivo, numa tarde durante a semana.

Até aí, tudo bem. Como de hábito, alguém da Caloi ligou para o 229-6674, o telefone da Biene. Os uniformes dos pilotos da F1 precisariam ser feitos da “noite para o dia”. E assim foi feito. Uma correria sem fim. No dia da prova, na parte da manhã, a Kombi da Caloi passaria “voando” para buscar as roupas.

– Vamos lá, Nadir! Você foi intimado pelo seu Bruno a comparecer, não adianta dizer não!

Claro que meu pai largou tudo. E foi. A loucura era tanta que o público, presente à pista, torceu para os pilotos, como se fosse no exterior. Eis que vejo meu pai, na tv, no meio deles, torcendo para o Emerson Fitipaldi. Nem lembro quem ganhou a prova, aliás, se alguém lembrar, me “refresque a memória”, por favor.

Confesso que fiquei chateado por não estar lá, afinal era fã do Fitipaldi. Via Caloi, meu pai foi apresentado a cada um deles, nos boxes. Conheceu o James Hunt, Ingo Hoffmann, e se impressionou com o Nikki Lauda, que sorriu e disse:

– Não repare, sou feio assim mesmo. O James Hunt aqui é o galã, kkk…

Lá no Bom Retiro tinha um Poster, já desbotado, que se foi com o tempo. Ficou mesmo na lembrança mais esta história incrível do seu Nadir. E a camisa do Emerson, está aqui comigo.

Por Cícero Ávila – Fonte: BIENE – blog

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